Introdução

Um volume ósseo adequado é pre-requisito para um prognóstico favorável em implantodontia, porém, alguns paciente se apresentam com pouca disponibilidade óssea, impedindo o posicionamento tridimensional  ideal do implante. A regeneração óssea guiada (ROG) se provou uma técnica previsível com resultados consistentes para o sucesso em
aumentos ósseos verticais e horizontais.
Durante muito tempo, a membrana de e-ptfe com reforço de titânio foi a barreira de escolha para criação e manutenção de espaço, todavia, o
procedimento de ROG não se limita apenas a membranas de ptfe reforçadas, e podemos encontrar na literatura casos de sucesso utilizando telas de titânio associadas ou não a membranas de colágeno.
A previsibilidade na ROG se deve em grande parte a evolução na ciência dos biomateriais, mesmo assim, o aumento vertical da crista óssea permanece sendo um desafio potencial pela complexidade na
manipulação do tecido mole. A combinação de osso inorgânico bovino com osso autógeno tem se mostrado eficiente para aumentos verticais em
maxilares severamente atróficos, e a explicação por trás dessa mistura se da pelo fato de o osso autógeno suprir o enxerto com potencial osteoindutor, enquanto as partículas de hidroxiapatita agem como
armação para criação e manutenção do volume.

 

Relato de caso

Paciente EFS, 46 anos, sexo feminino, com queixa de alteração  estética em prótese adesiva dos elementos 21 e 22 (fig. 1). Ao exame clínico, verificou-se a deficiência tecidual, com perda da dimensão horizontal no rebordo remanescente dos elementos supracitados

Fig. 1 Aspecto clínico inicial

A deficiência clínica foi comprovada com o exame tomográfico volumétrico que comprovou não só a perda horizontal de osso alveolar, como perda vertical em região interdental dos elementos a serem reabilitados (fig.2), o que possivelmente prejudicaria o resultado estético final devido a ausência de papila interdental.

Fig. 2 Aspecto tomográfico, evidenciando perda óssóssea vertical em região interdental dos elementos 21 e 22

Desta forma, após aprovação da paciente, seguiu-se ao planejamento de aumento vertical, para criação de uma base óssea para uma futura papila.
Sob anestesia local (articaina 4% com adrenalina – Nova DFL), a prótese da paciente foi removida (fig. 3), e uma incisão deslocada vestibularmente foi realizada com uma lamina de bisturi 15c. Duas
incisões relaxantes vestibulares realizadas dois dentes distantes da área a ser abordada (fig. 4). Duas incisões relaxantes palatinas foram promovidas, um dente além da área abordada, para facilitar a
manipulação tecidual. Descolamento delicado dos tecidos vestibular e palatinos foram realizados, e o nervo nasopalatino deslocado do canal
incisivo (fig. 5). Uma incisão subperiosteal foi realizada no fundo de vestíbulo para liberação da mucosa vestibular e o tecido tracionado até a
borda incisão dos dentes adjacentes para testar a passividade (fig.6).

Fig. 3 Aspecto Clínico após remoção da prótese

Fig. 4 incisão deslocada vestibular associada a duas relaxantes,

Fig. 5 deslocamento do nervo nasopalatino do canal incisivo

A corticotomia foi realizada com a fresa do kit de enxerto (fig. 7), para permitir a nutrição do enxerto, o qual constitui de partes iguais de lumina bone porous large® (Criteria Biomateriais) e osso autógeno (fig. 8), removido do ramo mandibular por meio de uma broca coletora (Bullet Colector – Criteria Biomateriais).
Esta mistura foi confinada em uma tela de titânio adaptada para a região (fig.9)
(Lumina Grid MacroMesh – Criteria Biomateriais) e protegida por membranas de colágeno natural
Fig. 4 incisão deslocada vestibular associada a duas relaxantes, Fig. 5 deslocamento do nervo nasopalatino do canal incisivo (fig. 10) (Lumina Coat Double Time), para promover o princípio de exclusão celular.

Fig. 6 teste de passividade dos tecido moles

Fig. 7 corticotomia na face vestibular do emanescente ósseo

O Fechamento primário passivo da ferida cirúrgica foi realizado com suturas do tipo colchoeiro horizontal, na região sobre o enxerto e Fig. 6 teste de passividade dos tecido moles
Fig. 7 corticotomia na face vestibular do remanescente ósseo pontos simples, em toda extensão da ferida e incisões relaxantes, com fio de PTFE 4.0 (fig. 11).
Após 9 meses, não houve exposição do material ou complicações, e no rx de controle, verifica-se o ganho vertical (fig. 12).
Foi solicitado à paciente uma nova tomografia volumétrica para planejamento dos implantes e continuação do tratamento

Fig. 8 Mix de osso autógeno particulado e Lumina Bone Porous Large

Fig. 9 Estabilização da tela de titânio – Criteria Lumina Grid Macro Mesh

Fig. 10 Proteção do enxerto com membranas de colágeno sobrepostas – Lumina Coat Double Time

Fig. 11 Sutura em colchoeiro horizontal e pontos simples com fio PTFE 4.0

Fig. 12 Aspecto radiográfico após 9 meses

Conclusão: 

A utilização da ROG para ganhos ósseos verticais é um procedimento previsível porém requer uma curva de aprendizado, dada a sua sensibilidade.
A utilização de Lumina Bone Porous Large se mostrou eficaz para o procedimento, permitindo a manutenção do arcabouço ao longo dos 9
meses de acompanhamento da referida paciente e sua utilização em conjunto com osso autógeno se mostra uma mistura eficaz para reconstrução de defeitos críticos, seguindo os princípios da ROG.

SERGIO CHARIFKER

SERGIO CHARIFKER

Mestre em Implantodontia

Coordenador de curso na Soepe